segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sua Música


Crescer.
Linear, rumo ao astro rei
O tempo compõe em veios minha história
Com marcas da trajetória
Dos caminhos que mal tracei
A música contraditória
Com versos fora de moda
Da vida que desejei.

(Texto de Leonardo Pedrini inspirado no vídeo Years de Bartholomäus Traubeck)


YEARS from Bartholomäus Traubeck on Vimeo.

Toca-discos lê música em uma fatia de tronco de árvore
Um projeto de extrema sensibilidade foi criado pelo artista alemão Bartholomäus Traubeck. Intitulada “Years”, a obra traduz a textura natural de um disco de madeira em notas musicais.
A música é produzida mais ou menos como ocorre em um toca-discos comum, mas no lugar do vinil entra o disco de madeira e a tradicional agulha dá lugar a um sistema de câmera que captura imagens que são processadas por um computador levando-se em conta a resistência da madeira, espessura e taxa de crescimento.
Essas informações são utilizadas pelo software para “tocar” um piano. Cada árvore e cada fatia de madeira que pode ser extraída dela gera uma música única. ( facebook.com/desconhecidos.fatos )

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fragmentos - Flash Mob

Fragmentos é o projeto de um programa que aborda, em linhas gerais, assuntos de âmbito cultural. Cada programa apresentaria um pequeno fragmento de alguma manifestação artística, como fotografia (programa já produzido na disciplina de telejornalismo, tratou da história da fotografia), dança, artes plásticas, cinema, música, dentre outros.

Nesse piloto, o Flash Mob foi abordado de forma leve e dinâmica, sendo a mensagem transmitida a públicos de diversas idades.

Confira no Vimeo em HD (Alta Definição): http://www.vimeo.com/leopedrini/videos

(Video produzido por Leonardo Pedrini como piloto para pós graduação em Artes Visuais)

Vê-la

Vela.
Acesa.
Ambiente a meia luz,
Coração a meio pulso:
Diástole.
Cada cavidade se enche de paixão, fulgor, excitação, vontade, fervor…
(…)
Sístole.
Sangra o peito, que expulsa nada de seu meio. Nada, exceto sangue.
Vermelho,
Espesso,
Viscoso,
Aquele frio sangue quente.

Vela.
Ao mar.
Navegando em pensamentos,
E em anseios,
E em desejos...
Ao léu.
Quando a luz de um farol
Dá sinal de esperança
De, enfim, voltar a vê-la,
Subo ao mirante.
Só vejo, à vela, a luz da vela.
Distante.
Vazia.
Bela na ilusão de quem a contempla
E minguante no esmaecer da chama.


Quem inventou o amor?

Quem inventou o amor?
O sentimento forte – e ao mesmo tempo efêmero – das relações humanas.

Como dói a dor de amor. Fatiga, destroça, aperta, corrói, esmaga e incinera o coração partido por esse sentimento confuso que nos persegue insistentemente. Quando amamos, não há problema que incomode. Mas quando sofremos de amor, o mundo todo parece estar sobre nossas costas.
Erguer-se é difícil, e adotamos a postura de nossos ancestrais mais distantes. Talvez no anseio de sobreviver somente pelo instinto, sem se preocupar com a emoção. Quando as relações eram ainda animalescas, o coito – pegado por trás, de forma selvagem – possuía fins exclusivamente reprodutivos. Não tinha o cigarrinho, o dormir de conchinha, a conversa, a projeção de futuro… Infeliz fora o hominídeo que, por acidente, copulou frente a frente com a fêmea e, na rusticidade do momento, olharam-se nos olhos desencadeando o afeto, o sentimento, e todas as suas dolorosas consequências.


* Abertura da matéria solicitada para a disciplina "Revista" do curso de Jornalismo. A pauta ficou bacana, ia entrevistar um senhor que vendia flores na Praia do Canto e trata-lo como vendedor de sonhos, de sentimentos, de amor, de esperança, de reencontros, de superação, de comemoração... mas a pauta caiu, pois a prefeitura tirou o pobre senhor de lá. Tive que empurrar o resto da matéria com a barriga, não vou postar. Caso eu reencontre esse senhor, refaço a matéria e posto completa.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

00:31

No Quarter - Led Zeppelin (Trecho da musica usada no vídeo)

Walking side by side with death
Andando lado a lado com a morte
Devil mocks at every step
O mau arrisca a cada passo
The snow drives back the foot that's slow
A neve repulsa o pé cansado
The dogs of doom are howling more
Os cães do destino estão uivando mais

They carry news that must get through
Eles trazem notícias que precisam chegar
To build a dream for me and you
Para construir um sonho para mim e para você
They choose the path where no one goes
Eles escolhem o caminho por onde ninguém vai

They hold no quarter
Eles não têm piedade
They ask no quarter
Eles não pedem piedade


Vídeo produzido para o concurso Desafio Fotográfico de 2007, cujo objetivo era a elaborar - com fotos - um produto audiovisual com 181 segundos de duração, em alusão aos 181 anos da fotografia.

domingo, 31 de outubro de 2010

Era uma vez...

Crônica produzida para a matéria "Revista" do curso de Jornalismo - UVV.
Tema: As ilustrações presentes no texto.

Era uma vez...
A história de um homem solitário, de músicas e de seus amores

Era uma vez uma história de um homem solitário. Decidiu mudar. Pensou em montar uma banda. Comprou uma gaita, tentou alguns acordes... Com os miados da gaita encontrou, vejam só, uma gata. Arisca. Manhosa. Perigosa.
Era uma vez uma história de um homem. De encontros, desencontros... e reencontros, que retratavam toda essa inconstância. Numa dessas, re-conheceu a gata. Ela dizia: "O meu mundo era o apartamento. Detefon, almofada e trato. Todo dia filé-mignon, ou mesmo um bom filé de gato"*. E o homem arriscou.
Era uma vez uma história. Longa história. Enredo de novela, ou até filme de romance. Alertaram ao homem não mais solitário: "Atenção porque nesta cidade corre-se a toda velocidade"*. Não deu ouvidos. Muito tempo se passou. Quanto mais ela 'dama', mais ele 'vagabundo'. E no último beijo da princesa, o príncipe – pobre animal – virou sapo.
"Era uma vez (e é ainda), certo país (e é ainda) onde os animais eram tratados como bestas (são ainda, são ainda)"*. Como sapo perdido no lago, o homem relembrou do tempo que passou veloz. Comeu mosca. Reaprendeu a viver em solidão. Relembrou sonhos, refez projetos, recomeçou. Quis novamente montar uma banda. Sem pensar em gata, desistiu da gaita. Cogitou o tambor, e advinha!? Outra gata!, regada a dendê. Mais arisca. Mais manhosa. Mais perigosa.
Era uma vez uma história. Proibida história. "Confessando bem, todo mundo faz pecado logo assim que a missa termina. Todo mundo tem um primeiro namorado. Só a bailarina que não tem sujo atrás da orelha, bigode de groselha, calcinha um pouco velha, ela não tem"*. E o homem se envolveu em um novo enredo mirabolante. De filme de ação (com romance), de espião (com romance), de suspense (com romance), mas não de romance. Paixão a dois – e só.
Era uma vez uma história de um homem. Acaso, coincidência... destino? Sei lá!? Insólito sentimento. Ela falava: "Me diziam todo momento: fique em casa, não tome vento! Mas é duro ficar na sua quando, à luz da lua, há tantos gatos pela rua"*. E na rua a gata arranhava, mordia e bem-maltratava o homem. E também se envolvia, somente ao ponto de o homem permanecer solitário.
Era uma vez uma história de um homem solitário. Não tinha banda. Não queria mais saber de gaita. Desistiu do tambor, e cantava:
"Dorme a cidade
Resta um coração
Misterioso
Faz uma ilusão
Soletra um verso
Lá na melodia
Singelamente
Dolorosamente
Doce a música
Silenciosa
Larga o meu peito
Solta-se no espaço
Faz-se certeza
Minha canção"*

*Trechos de músicas do disco "Os Saltimbancos" de 1977, versão por Chico Buarque do musical infantil homônimo de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov. Em ordem: "História de uma gata", "A cidade ideal", "Bixarada", "Ciranda da Bailarina", "História de uma gata" e "Minha Canção".

Meu candidato de estimação

Crônica produzida para a matéria "Revista" do curso de Jornalismo - UVV.
Tema: Animal de estimação e horário político.

Meu candidato de estimação
Minhas lembranças mais remotas trazem à luz uma criança desastrada, atrapalhada, desengonçada... e vejo que minha vida pouco mudou em 28 anos.
Morava em uma casa ampla, com um jardim na frente e um ninho de pardal sob o telhado. Certa vez encontrei um filhote que caíra de sua casinha de palha e agonizava no gélido piso de ardósia encerado semanalmente em um mutirão que envolvia toda a família. A ave ainda não tinha pena. Eu tinha. Por puro altruísmo, desgrudei do chão aquele pobre animal que ainda piava e, com espírito paterno já aguçado, corri até a torneira mais próxima para dar fim à terrível sede que tomava conta daquele pequeno ser. Esse foi certamente o seu último desejo.
Além de cuidar desses indefesos animais, outra diversão que tinha era passar o fim de semana jogando no Atari para fazer a galinha atravessar a rua ou o sapo comer a perereca. Sem falar quando transformava em diabinhos as imagens dos santinhos que recolhia das ruas em tempo de eleição.
Ah, o período eleitoral! Época da verdadeira festa da democracia. Período em que o Brasil realmente vai pra frente, quando no peito de cada cidadão acende a chama da mudança e aproveitamos cada minuto do horário político para colocar nossas atividades em dia. Esse ano minha mãe comentou: "Graças a Deus, começou o horário político!". Pensava "que exemplo de cidadã, essa é minha mãe...", enquanto ela concluiu: "Vou conseguir acabar de passar a roupa..."
O curioso é que essa tradição perdura desde a época em que descobri na prática que filhotes de pardal não comem minhocas inteiras, e hoje certamente "there's an app for that"*, ao menos um vídeo no Youtube que ensine passo a passo como alimentar filhotes de pardais grudados no piso de sua casa. E mesmo com internet, TV a cabo e muita coisa pra entregar com data marcada, reservei o horário político especialmente para concluir uma certa crônica que fiquei devendo semana passada.
De qualquer forma, imagine uma situação hipotética: você está com tudo simplesmente em dia – provavelmente no início de Outubro – e cochilou no sofá da sala enquanto via TV justamente na hora que começou a propaganda eleitoral. Caso os astros se alinhem dessa forma e você, mesmo off-line, tenha assistido a um programa político inteiro, nunca mais, veja bem, NUNCA mais em toda a sua vida precisará ver outro horário eleitoral gratuito. São os mesmos candidatos em campanha que estão nas ruas a cada dois anos, alguns eu vejo com mais frequência que membros de minha própria família. Quando não concorrem para vereador, é para deputado, quando não é para governador, é para prefeito... como será o cartão de visitas deles? "Candidato Profissional. Concorro a cargos políticos, eleição de condomínio, Mister Espírito Santo e concurso de culinária. Analiso proposta para A Fazenda e BBB".
Seria até interessante se as eleições fossem em formato de reality show com políticos, numa espécie de zoológico humano, dividido em tribos de comunistas, socialistas, esquerdistas, conservadores e extrema direita..
Quem sabe uma Feira da Política, com um estande para cada partido, os candidatos pendurados em araras, ou separados em expositores com seus planos de governo. Até imagino o diálogo. O eleitor chegaria ao estande e perguntaria ao atendente:
— Boa tarde. Eu queria um candidato dos bons! O que você tem aí?
— Ah, tem o Fulano. Quer investir em educação, saúde e é contra a pedofilia...
— Humm... Sei não, meio estranho isso... E aquele outro alí?
— Aquele lá? (pausa) Aquele lá... (longa pausa) Na verdade ele nem sabe o que faz um Deputado Federal. – sussurra o atendente.
— Uai... E o que ele faz então? – Indaga o eleitor.
— Ele canta.
Ao fundo ouve-se Florentina, Florentina. Florentina de Jesus..
— Humm... Gostei! Vou ficar com esse – define o eleitor, que arremata:
— Embala que é pra presente.
Foi numa feira dessas que comprei meus últimos animais de estimação, um casal de coelhos esquizofrênicos que pularam do terraço no prédio onde eu morava. Quem sabe não teríamos a mesma sorte de encontrar grudado no gélido piso de nossa calçada aquele nosso "amado" candidato que escolhemos com tanto cuidado?

*There's an app for that = Há um mini-aplicativo para isso, em referência ao slogan da Apple quanto a grande variedade de apps disponíveis para gadgets como iPod, iPhone e iPad.

domingo, 8 de agosto de 2010

Recomeço

"Le cycle cardiaque se répète indéfiniment pour le toute vie"

Quantas vezes tento fugir, mas estou aqui, seguindo o incansável fim?


(Video produzido por Leonardo Pedrini como trabalho final para o primeiro módulo do curso de pós graduação em Artes Visuais)

sábado, 17 de julho de 2010

Barata Ribeiro

Quando algo está abandonado, dizem que foi jogado às traças. Eu - tal qual Pinguim de "Batman o Retorno" - nasci e fui pro esgoto... na verdade, quase. As primeiras contrações de minha mãe foram confundidas com "cólicas intestinais". Ou seja, o meu nascimento foi uma cagada. Pode-se dizer que fui jogado às baratas.

Não lembro muito bem de minha infância, mas rumores garantem que tinha relacionamento íntimo com esses insetos, a ponto de praticar necrofilia com algumas delas: comia baratas mortas - mas apenas as secas e crocantes.

O tempo passa, e um curso de produção no Rio de Janeiro me leva a ficar hospedado - totalmente por acaso - em um kitnet numa rua chamada Barata Ribeiro. Lá, descobri duas coisas importantes:
* mata-baratas não mata cigarras. Esvaziei um tubo inteiro de inseticida em uma que estava na "varanda", e a bixa ficou estribuchada, mas cantando.. só parou após eu jogar meu (par de) chinelo sobre ela.
* jamais utilize todas suas armas de uma só vez. Para resumir BEM a história, naquela noite matei na "tênisada" - o (par de) chinelo estava enclausurando a cigarra ainda - cerca de 14 baratas. Comprei outro inseticida, claro. Em 1 semana foi um verdadeiro baraticídio! Sem brincadeira, devo ter matado mais de 100 baratas, provavelmente todas da família Ribeiro. Quando voltei pra Vitória ainda via vultos pela parede...

Mais tarde descobri por que as baratas morrem de costas. Na verdade, elas são ninjas... mas isso é história pra mais tarde. Tenho a sensação de estar sendo vigiado... elas ainda querem vingança.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Jogo da Vida

A vida moderna é um jogo. Cidades crescem a cada minuto. Conglomerados habitacionais e comerciais pipocam em pequenas explosões que tatuam definitivamente o traçado do bairro na visão do google maps. Genéricos. Geométricos. Verticais.
Não se sabe como ir? O GPS do seu gadget preferido te mostra o caminho. "Siga em direção ao edifício mais alto". De lá, a cidade brilha como milhares de estrelas.. caso se lembre delas, apagadas pelos painéis publicitários e ocultas pela poluição.
Para fugir dessa bagunça se busca milagres num elixir. E começa um outro jogo. Era pra cravar 7? Amanhã começa de novo...

(O texto acima e as fotos abaixo foram produzidas para o curso de pós graduação a distância em Artes Visuais)



Vias Circulatórias

Ocaosurbano
Agitavida
Dequemtempressa
Dequemsestressa
Quenãotemtempo
Depoisdaida
Voltaratento
Masemcomando

Nocaosurbano
A vi da pas sa
Mei o sem gra ça
Mei o in gra ta
E tu do p a r a
Sem mui ta his tó ria
Em ple na vi a
Cir cu la tó ri a

No caos ur ba no
Osangueferve
Nes se ma ras mo
Aquiinerte
Con te a té trin ta
Tácirculando!
Res pi re fun do..
Éocaosurbano

(O texto acima e o vídeo abaixo foram produzidos para a pós graduação a distância em Artes Visuais)

Ebulição e condensação pra fusão

E ' b , u ` l : i ' ç . ã " o
Partículas aquecidas e agitadas. Ciclo de identidade. Líquido e gasoso.
V a p o r . . .
Aquece o vidro e por ele é esfriado.
Trocas do calor, e volta à origem.
Con den sa ção
Mais calmos, elementos aglutinados.
Go te jam
Ao ser resfriado pelo vidro.
Que esquenta e derrete a cera
fFuUsSaÃõO
Mistura separada. Tudo junto isolado.
Pensado. Armado. Colado.
MONT ' , ` :
' . " ; ' agem.

(O texto acima e a imagem abaixo foram produzidos para a pós graduação a distância em Artes Visuais)

Distorção

Torce o tufão.
Destorce ao padrão.
Natural? Distorção.

(O texto acima e a foto abaixo foram produzidos para a pós graduação a distância em Artes Visuais)

(Re)Começo

Quem nunca pensou em voltar atrás?
Quem nunca quis uma chance pra tentar fazer diferente?
Quem não desejou a oportunidade de poder conhecer diversos caminhos para só depois escolher qual seguir?
Fragmentar a vida e vivenciar todas as oportunidades?
Provar a teoria da relatividade e romper a barreira do espaço e do tempo?

Quem nunca planejou um recomeço?

O video produzido apresenta essa simples idéia de fragmentar o espaço e tempo ao mostrar os 4 começos do primeiro passo de um corredor. Provoca a sensação de um movimento contínuo e linear pois independente de quantas chances você tenha de começar, é importante seguir em frente.

(O texto acima e o vídeo abaixo foram produzidos para a pós-graduação a distância em Artes Visuais)

Direção: Leonardo Pedrini
Corredor: Pio Jorge Pedrini
CPF: 201.884.717-15

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não use filtro.....

Vemos o mundo através de "lentes". É fato. E venho percebendo isso pouco a pouco de forma mais clara.

E é curioso como essas lentes são responsáveis por filtrar o caminho que seguimos. Atuam em decisões importantes, escolhas banais, influências sofridas, até em aptidões que supomos não ter ou habilidades que estamos certos de possuir. Gostos pessoais, sabores, cheiros.. pessoas que gostamos ou não gostamos.

E pra complicar ainda mais, essas lentes as vezes mudam. Sem regra, sem aviso... simplesmente mudam. É como se, por um motivo ou outro, você pegasse as lentes de outra pessoa, e começasse a enxergar o mundo misturado. Isso distorce a nossa percepção do mundo. Tomamos como nossas algumas noções que não são nossas, e nem de outras pessoas. E tudo fica fantasioso. Realmente fantasioso.

Mas em dado momento, essas "novas lentes" caem. E por alguns instantes você se sente perdido. Não reconhece as coisas à sua volta. E tem que se refamiliarizar com suas coisas, re-conhecer as pessoas, refazer sabores, repensar qualidades e habilidades... Você volta a identificar rostos, e não apenas ve-los. Volta a achar pessoas bonitas de verdade ou feias de verdade. Suporta o calor, sente prazer ao pisar na areia, começa tudo de novo...

Esse certamente é o pior texto que fiz nos últimos anos. Nem uma conclusão tem.

Não quero mais lentes perfeitas... quero apenas lentes mais claras.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dá leite nããão!

Era verão. Sol a pino. Dia extremamente quente. Caminhava pela rua com minha mochila às costas. O peso já seria normalmente insuportável para um menenico fora de forma (ou em forma, dependendo da forma que queira empregar nesse caso) e sem o mínimo de condicionamento físico, mas o calor que fazia potencializava o desgaste do percurso de volta da escola.

Parei de fronte ao alto portão de cor amarronzada (e levemente condenado à ferrugem), com suas lanças apontadas para o céu como se almejassem alguma ameaça física ao sol que tanto nos castigava. Diminuto, olhei para cima. Lá estava ela. Chamativa. Provocante. De formas quase nada arredondadas, mas atraente. Amarelada (e encardida), cercada por uma caixa acinzentada (e igualmente encardida). A encarei por alguns segundos enquanto mandava a informação do meu cérebro até a ponta de meu indicador para que apertasse aquele botão que me tomaria o sofrimento. O braço não obedecia ao sinal elétrico transmitido neurônio a neurônio por minha massa cinzenta, mas meus sentidos se aguçaram. Sentia o aroma do alho no arroz que minha mãe cozinhava a mais de cinquenta metros de distância, enxergava cada detalhe, cada ranhura da textura da campainha, sentia e ouvia a gotícula de suor escorrer lentamente pelo meu rosto, descendo pela lateral de minha face à ponta de meu queixo... até que, em um movimento espásmico, meu braço se esticou rumo ao firmamento, e com o indicador em riste pressionei a campainha com um prazer quase sexual que arrepiou a minha espinha e devolveu à normalidade as percepções sensoriais que me trouxeram de volta ao mundo. Dos fundos da casa, ouvi o grito: "Dá leite nããão!"


Esse grito ecoou em forma de flash back, quinze anos mais tarde, de dentro do copo que segurava em minhas mãos. Quando a Dra. me falou: "Ou você diminui a ingestão leite, ou toma leite de soja", havia encarado como conselho, sugestão, mas não como ameaça.

E analisando com desgosto aquele líquido levemente "amarron-roseado", ligeira e incomodamente adocicado, lembrei de minha infância e do grito de minha mãe: "Dá leite nããão!". Quisera eu ter inventado Leite de Campainha.

Leite de soja não é alternativa... é castigo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Comfusão

Insone. Suado. Fundido, moldado na cama de jeito disforme.
In some.. Sua dor. Fodido! Molhado! Come on! Deleite disforme.
Cabeça à mil. Cenas, centenas. Imagens fragmentadas, assuntos quebrados, conversas lembradas e não ditas.. portanto perdidas.
Não é passado. Talvez "paz sado", da estranha inquietude que a tranqüilidade proporciona.
Nem presente, uma vez que a ação está ausente.
Futuro? Improjetável. A bala nem saiu do tambor!

Na cama. Comfusão: deito sólido, acordo líquido.
Comfusão. Nú. Clear. Despido e claro. Pronto para formar "um núcleo com massa menor que a soma dos núcleos originais, mas com peso atômico maior". As diferenças? Seriam liberadas em forma de grande quantidade de energia...
Mas... semfusão. Deito só. Acordo apenas.

Eu. Confuso. Em que fuso??? Insone. In some...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estrela negra

Túnel do tempo, Janeiro/2003 (essa será a última republicação minha. Daqui pra cima, tudo novo)

(SIC) "As vezes gosto de me deitar na areia da praia e ver o tempo passar... Relaxa, ajuda a esvaziar a cabeça...
No dia de minha formatura estava estranhamente tranqüilo. Sempre fico meio febril e agitado em dias de festa (ainda mais quando EU sou o alvo de comemorações). Para aliviar a tensão que pudesse surgir fui à praia.. pensar na vida.. deitar na areia para que os pensamentos que viessem, saíssem.. esvaziar a cabeça...
Deitei.. o céu estava claro com apenas algumas grandes nuvens brancas que mais pareciam imensas mechas de algodão. E estavam estatizadas, paradas, como se o céu, o sol não existisse.
O som das ondas mostrava que o mar estava suave, sereno.. as ondas quebravam fracas, vagarosas. Não deu para perceber o mar quando cheguei à praia. Estava olhando a nuvem quando cheguei.... e deitei.... ouvindo o mar, verde, inspirador.. (ao menos imaginei assim)
O vento estava ora forte, ora fraco.. as vezes jogava arei em minha cara... mas eu permanecia ali deitado, olhando o céu e pensando em "nada". E fiquei ali olhando aquela imensidão azul, fixamente. Mal piscava. E olhando pro céu, percebi meio que de repente um estranho ponto negro.
No momento franzi a testa. Ué.. durante a noite é comum ver pontos brancos no céu escuro. Mas nunca tinha visto antes uma estrela negra no céu claro. E fiquei admirando essa estrela negra. E quanto mais o tempo passava, mais eu me encantava. Aquele ponto negro, aquela estrela, ganhava brilho. Se destacava no céu por sua excelência. Era única. E única, era como se tivesse todo o esplendor, todo o brilho de todas as estrelas brancas reunidas. E o tempo passava. E minha admiração por aquela estrela negra no céu azul anil aumentava mais e mais. Não queria piscar para não correr o risco de perdê-la de vista. Não queria nunca mais sair da praia, com medo de não poder mais vê-la.
Estava apaixonado. Sim, apaixonado por aquela estrela negra de beleza totalmente indescritível. Fechei os olhos e abri novamente. E a estrela ainda estava lá. Prova da reciprocidade dessa paixão. Vi que não iria perdê-la... nunca. Ela sempre estaria lá. Pra mim..só pra mim... e mais ninguém.
Após muito tempo de admiração (o céu já escurecia, mas a estrela continuava lá), percebi que um avião se aproximava. Cada vez mais rápido. E ele ia de encontro com a minha estrela. E iria me privar de sua visão durante alguns segundos.... Temia aquele momento inevitável, mas, para meu espanto, o avião passou... e passou por cima de minha estrela. Pude vê-la enquanto o avião passava.
Tirei meus óculos e observei que em uma das lentes havia um grão de areia. Um grão negro de areia.
Limpei a lente de meus óculos e, ainda deitado na areia, fechei meus olhos e continuei a admirar a minha estrela negra. Agora mais única do que nunca.... mais minha do que nunca.. eternamente minha... e de mais ninguém."

Ondas ao mar

Túnel do tempo, Dezembro/2002

(SIC) "Outro dia fui à praia pra pensar em tudo que acontecera a mim nesses últimos anos. Fiquei ali, de pé na beira do mar, olhando cada onda se aproximar até molhar minhas pernas. E a cada onda que vinha (e ia) eu pensava em cada um de meus amigos... e também naqueles que por um motivo ou outro se afastaram.
Vi uma onda ao fundo, se formando com perfeição. Linda, soberana, grandiosa..... que de repente foi perdendo força, não chegando nem a quebrar na areia, e pensei em todas as vezes que desisti de lutar com medo de perder (ou de vencer).
Uma marola singela, discreta no meio das outras ondas, foi crescendo, se adaptando ao mar. Tornou-se forte. E guerreira, quebrou na areia, de forma expressiva, porém sem estardalhaço, voltando humildemente ao mar de onde nasceu. Foi quando lembrei da ex-namorada. Dedicada, corajosa.. e como fiquei feliz quando soube que ela havia passado na UFOP, atingindo um de seus objetivos.
Tem aquelas ondas que chegam quebrando em cima de você, e te deixam triste. Mas logo você está seco de novo. Tem aquelas que chegam pequenas, uma atrás das outra. Só fazem barulho e bagunça na areia. São um saco, chateiam, mas não chegam a incomodar. Tem as ondas que você nem quer ver.. não tão cedo pelo menos. E tem as ondas que você sonha em um dia ver.. e pensa ser difícil de encontrar.
Eu vi (e estou vendo) essa onda.. ao longe, quase no horizonte. Pisquei os olhos e ela se aproximou rapidamente. Linda, única (embora não fosse a única onda no mar, era a única que eu queria ver), suave.. Não quero piscar de novo. Tenho medo dela não estar mais lá quando eu abrir os olhos... embora saiba que é uma onda.. e como onda, sei que logo vou vê-la chegar, molhar minhas pernas, e partir...."

Mães...

Túnel do tempo, Janeiro/2003

(SIC) "Mãe é sempre mãe... e particularmente, eu amo muito a minha!!!

Resolvi voltar um dia antes de Pedra Azul, passando então um dia só em casa. Cheguei por volta das 17:00 horas, e fui descansar um "pouco". Logo o telefone toca:

- Oi meu filho! Como foi de viagem!?
- Oi mãe! Foi tranqüila.. a estrada tava calma.
- Que bom.. pegou chuva no caminho?
- Não não.. foi tudo tranqüilo.. tiu Zé nem correu! E aí, como ta?
- Ixi, ta chovendo aqui! Você ta com frio? Tem coberta no seu armário viu!?
- Não mãe, aqui ta quente..
- Tem certeza? Ta chovendo muito aqui!
- Tenho mãe! Relaxa.. ta até sol lá fora!
- Sol!? Mas são 9 horas da noite!

Ups.... mas não para por aí:

- Já comeu alguma coisa?
- Logo logo vou fazer um lanchinho
- E amanhã? Vai fazer almoço!? Come lá no Galetinho!
- Não não.. Vou fazer aquele mexido de ovos que eu sempre faço :o)
- Mas não tem nada na geladeira!
- Tem sim.. acabei de ver..
- :o) (sempre dá pra perceber quando do outro lado da linha tem um sorriso de tranquilidade)

No dia seguinte fui fazer meu almoço e não tinha nada na geladeira... Me virei fazendo uma pizza com um frango desfiado que tinha no freezer. Quando descongelei e aqueci o frango quase que o comi puro. Tava MUITO gostoso.

- Mãe, eu peguei aquele frango desfiado que tava no freezer..
- Tadinho! Deve ter ficado horrível! Nem é temperado
(imagine se fosse..)
- Não mãe, que isso.. tava ótimo.. muito bom mesmo..
- Quer que eu frite um bifinho pra você?
- Não mãe. Eu comi bem.. de verdade

Dez minutos depois eu estava comendo bife frito.
Fico imaginando quando eu tiver meus 21 anos, for maior de idade..... opa.. eu tenho 21 anos!
Não importa a idade... isso nunca vai mudar.... o pior é que eu gosto disso #o) "

E por ultimo...

Túnel do tempo, Dezembro/2002

(SIC)
"Ultimo dia de aula
Férias
Ultimo jogo do campeonato
Festa (ou agüente a zoação, dependendo de qual lado está)
Ultimo milésimo para a classificação
Ufa!
Ultimo lugar na competição
Completei minha jornada... Cheguei ao fim.
Ultima jogada
Cheque-mate!
Ultima hora, ultimo minuto, ultimo segundo, ultimo centésimo...
O tempo não para!
Ultimo suspiro
Agente ainda se vê
Ultimo capítulo da novela
Quem matou Odete Roitman? (como escreve isso? Quem foi?)
Ultimo capítulo da temporada
Ahhhh... Friends só ano que vem (ainda bem que sempre tem reprise)
Ultima pagina de um bom livro
(...) sempre ficamos pensativos, sem palavras quando acaba um livro
Ultimo dia de carnaval
Acabo ouô ô
Ultimo gole de cerveja
Garçom!
Ultima garfada
Que delícia
Ultimo gole de água
Que alívio
31/12
Feliz ano novo!
Ultimo abraço
Fique só mais um pouco...
Ultimo beijo
Me dê mais um abraço!?
Ultimo olhar
Mais um beijo!!!
Ultima frase
Sentirei saudade...."

Quarta-feira chuvosa

Túnel do tempo, Dezembro/2002

(SIC) "As coisas nem sempre (nunca) acontecem como imaginamos (queremos)...

Um colega meu me ligou as 23 horas me pedindo um CD que havia me emprestado. Ele iria viajar na manhã seguinte, então fiquei de deixar o CD na portaria para ele pegar antes de viajar.
Passado algum tempo, já pronto para dormir, lembrei que ainda não havia deixado o CD com o porteiro. Olhei as horas. Eram 00:30 de uma quarta-feira fria e chuvosa. Quem seria o doido a sair pra rua em um dia desses!? Coloquei uma camisa velha, surrada, peguei as havaianas floridas cor-de-abóbora nº 37 de minha irmã (calço 43) e entrei no elevador, com meu short de dormir (sem cueca.. nunca vi peça mais inútil).
No 4º andar o elevador para. Arrumo a postura. Entra um casal de jovens, bem arrumados, cheirosos.. Firme, como se tudo estivesse normal, cumprimento os dois olhando nos olhos e com um sorriso seguido de um "Boa Noite". Pensei "putz.. tinha que entrar alguém nesse elevador!?" Nem deu tempo de concluir o pensamento quando o elevador para no 3º andar. Entra um homem que ia para o plantão (parecia ao menos.. estava de branco). Cumprimentei o novo tripulante enquanto o elevador descia.. até o 2º andar. Antes da porta se abrir resmunguei com vergonha (rindo um pouco) "Ah não.. tem que parar em todos os andares!?". E entra a nova vizinha, gatíssima.. ela e a irmã dela.. Mais vermelho que um pimentão, abaixei a cabeça, rindo de vergonha. "Pra variar.." foi o comentário quando o elevador parou no 1º andar. O casal deu uma risadinha simpática da minha cara. O médico, com um tapa no meu ombro riu também. As vizinhas novatas (e gatas..) me olharam.. pareciam estar com medo, mas preferi acreditar que ainda estavam deslocadas. No 1º andar entrou outro casal, dessa vez de conhecidos. "Parece que só eu não sabia o que fazer nesse frio..." (e resolvi passar vergonha).
No térreo (finalmente), saio do elevador, e por mais devagar que tentasse andar, sempre estava na frente de todos. Entreguei o CD ao porteiro, enquanto os que passavam e saiam do prédio riam "pra mim" (sempre simpáticos).

As coisas não acontecem como imaginamos porque nunca pensamos em todas as hipóteses. Mas pra que pensar? É tão mais divertido assim.... a imprevisibilidade da vida..."

Frite sem descongelar

Túnel do tempo, Dezembro/2002

(SIC) "Definitivamente, as regras existem para serem quebradas.

Nunca vi uma embalagem de salgadinhos "prontos para fritar" tão filosófica em minha vida. Me fez ser menos exigente comigo mesmo, me mostrou que nem sempre precisamos procurar a resposta de tudo (muitas vezes já sabemos, mas insistimos em procurar uma resposta), e que precisamos quebrar as regras que só existem em nossa cabeça.
Logo na capa, estava escrito "Coxinhas de Frango com Catupiry*". Sempre que tem algum asterisco, é por que falta algum comentário, algo do tipo. Revirei a caixinha de ponta-cabeça procurando o porque daquele asterisco em catupiry, mesmo sabendo que sempre quando algo tem catupiry, tem qualquer tipo de queijo, menos catupiry. Essa foi a 1ª filosofia.
Quando fui guardar a caixa na geladeira (estava cedo pra comer salgadinho), reparei nas instruções "Fritar sem descongelar". Isso criou uma nova regra em minha cabeça. "Tenho que fritar os salgadinhos congelados". Então não guardei na geladeira, e sim no Freezer. Deu a hora, fritei o salgadinho como estava orientando a caixa (5 minutos em fogo algo e 3 em fogo baixo para cozinha por dentro). Na primeira mordida, meus dentes encontraram uma pedra... de frango congelado! "Fritar sem descongelar" não quer dizer que era pra fritar congelado. 2ª e 3ª filosofias

As piores regras (justamente aquelas que não queremos quebrar) são as regras que nós mesmos criamos. Muitas vezes transformamos em regras coisas estúpidas (congelar salgado pra fritar!?). "Não posso ser feliz", "não posso fazer isso", "só pode ser assim", "não consigo chegar nesse ponto", "isso é muito errado", "é anti-ético"... E essas pequenas e desnecessárias regras causam um bloqueio em nossa mente, o que nos faz procurar respostas para o que já sabemos.. ou seja, é um atraso de vida. Definitivamente as regras existem para serem quebradas. Principalmente essas regras que criamos."


Particulamente, hoje, eu não gosto muito desse texto.. acho meio pobre.. sei lá. É só pra guardar pra posteridade #)

Cebolas na pizza

Túnel do tempo, 1995

(SIC) "As coisas que acontecem na vida são como uma pizza. Se você não gosta de cebola, não precisa temê-las nem jogá-las fora. Apenas não se preocupe com elas e deixe-as no canto do prato que alguém que goste vai pegar e vai comer (nem que sejam as moscas). Mas uma ou outra você acaba engolindo e nem sente o gosto. E outra, cebola faz chorar, mas dizem que é bom pro coração. Também dê valor àquilo que você não gosta, e não é porque você não gosta que irá te fazer mal."

14 anos e já metido à filósofo.. e não é que não mudei muito!?