domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estrela negra

Túnel do tempo, Janeiro/2003 (essa será a última republicação minha. Daqui pra cima, tudo novo)

(SIC) "As vezes gosto de me deitar na areia da praia e ver o tempo passar... Relaxa, ajuda a esvaziar a cabeça...
No dia de minha formatura estava estranhamente tranqüilo. Sempre fico meio febril e agitado em dias de festa (ainda mais quando EU sou o alvo de comemorações). Para aliviar a tensão que pudesse surgir fui à praia.. pensar na vida.. deitar na areia para que os pensamentos que viessem, saíssem.. esvaziar a cabeça...
Deitei.. o céu estava claro com apenas algumas grandes nuvens brancas que mais pareciam imensas mechas de algodão. E estavam estatizadas, paradas, como se o céu, o sol não existisse.
O som das ondas mostrava que o mar estava suave, sereno.. as ondas quebravam fracas, vagarosas. Não deu para perceber o mar quando cheguei à praia. Estava olhando a nuvem quando cheguei.... e deitei.... ouvindo o mar, verde, inspirador.. (ao menos imaginei assim)
O vento estava ora forte, ora fraco.. as vezes jogava arei em minha cara... mas eu permanecia ali deitado, olhando o céu e pensando em "nada". E fiquei ali olhando aquela imensidão azul, fixamente. Mal piscava. E olhando pro céu, percebi meio que de repente um estranho ponto negro.
No momento franzi a testa. Ué.. durante a noite é comum ver pontos brancos no céu escuro. Mas nunca tinha visto antes uma estrela negra no céu claro. E fiquei admirando essa estrela negra. E quanto mais o tempo passava, mais eu me encantava. Aquele ponto negro, aquela estrela, ganhava brilho. Se destacava no céu por sua excelência. Era única. E única, era como se tivesse todo o esplendor, todo o brilho de todas as estrelas brancas reunidas. E o tempo passava. E minha admiração por aquela estrela negra no céu azul anil aumentava mais e mais. Não queria piscar para não correr o risco de perdê-la de vista. Não queria nunca mais sair da praia, com medo de não poder mais vê-la.
Estava apaixonado. Sim, apaixonado por aquela estrela negra de beleza totalmente indescritível. Fechei os olhos e abri novamente. E a estrela ainda estava lá. Prova da reciprocidade dessa paixão. Vi que não iria perdê-la... nunca. Ela sempre estaria lá. Pra mim..só pra mim... e mais ninguém.
Após muito tempo de admiração (o céu já escurecia, mas a estrela continuava lá), percebi que um avião se aproximava. Cada vez mais rápido. E ele ia de encontro com a minha estrela. E iria me privar de sua visão durante alguns segundos.... Temia aquele momento inevitável, mas, para meu espanto, o avião passou... e passou por cima de minha estrela. Pude vê-la enquanto o avião passava.
Tirei meus óculos e observei que em uma das lentes havia um grão de areia. Um grão negro de areia.
Limpei a lente de meus óculos e, ainda deitado na areia, fechei meus olhos e continuei a admirar a minha estrela negra. Agora mais única do que nunca.... mais minha do que nunca.. eternamente minha... e de mais ninguém."

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