Vemos o mundo através de "lentes". É fato. E venho percebendo isso pouco a pouco de forma mais clara.
E é curioso como essas lentes são responsáveis por filtrar o caminho que seguimos. Atuam em decisões importantes, escolhas banais, influências sofridas, até em aptidões que supomos não ter ou habilidades que estamos certos de possuir. Gostos pessoais, sabores, cheiros.. pessoas que gostamos ou não gostamos.
E pra complicar ainda mais, essas lentes as vezes mudam. Sem regra, sem aviso... simplesmente mudam. É como se, por um motivo ou outro, você pegasse as lentes de outra pessoa, e começasse a enxergar o mundo misturado. Isso distorce a nossa percepção do mundo. Tomamos como nossas algumas noções que não são nossas, e nem de outras pessoas. E tudo fica fantasioso. Realmente fantasioso.
Mas em dado momento, essas "novas lentes" caem. E por alguns instantes você se sente perdido. Não reconhece as coisas à sua volta. E tem que se refamiliarizar com suas coisas, re-conhecer as pessoas, refazer sabores, repensar qualidades e habilidades... Você volta a identificar rostos, e não apenas ve-los. Volta a achar pessoas bonitas de verdade ou feias de verdade. Suporta o calor, sente prazer ao pisar na areia, começa tudo de novo...
Esse certamente é o pior texto que fiz nos últimos anos. Nem uma conclusão tem.
Não quero mais lentes perfeitas... quero apenas lentes mais claras.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
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