sábado, 17 de julho de 2010

Barata Ribeiro

Quando algo está abandonado, dizem que foi jogado às traças. Eu - tal qual Pinguim de "Batman o Retorno" - nasci e fui pro esgoto... na verdade, quase. As primeiras contrações de minha mãe foram confundidas com "cólicas intestinais". Ou seja, o meu nascimento foi uma cagada. Pode-se dizer que fui jogado às baratas.

Não lembro muito bem de minha infância, mas rumores garantem que tinha relacionamento íntimo com esses insetos, a ponto de praticar necrofilia com algumas delas: comia baratas mortas - mas apenas as secas e crocantes.

O tempo passa, e um curso de produção no Rio de Janeiro me leva a ficar hospedado - totalmente por acaso - em um kitnet numa rua chamada Barata Ribeiro. Lá, descobri duas coisas importantes:
* mata-baratas não mata cigarras. Esvaziei um tubo inteiro de inseticida em uma que estava na "varanda", e a bixa ficou estribuchada, mas cantando.. só parou após eu jogar meu (par de) chinelo sobre ela.
* jamais utilize todas suas armas de uma só vez. Para resumir BEM a história, naquela noite matei na "tênisada" - o (par de) chinelo estava enclausurando a cigarra ainda - cerca de 14 baratas. Comprei outro inseticida, claro. Em 1 semana foi um verdadeiro baraticídio! Sem brincadeira, devo ter matado mais de 100 baratas, provavelmente todas da família Ribeiro. Quando voltei pra Vitória ainda via vultos pela parede...

Mais tarde descobri por que as baratas morrem de costas. Na verdade, elas são ninjas... mas isso é história pra mais tarde. Tenho a sensação de estar sendo vigiado... elas ainda querem vingança.

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