domingo, 7 de fevereiro de 2010

Quarta-feira chuvosa

Túnel do tempo, Dezembro/2002

(SIC) "As coisas nem sempre (nunca) acontecem como imaginamos (queremos)...

Um colega meu me ligou as 23 horas me pedindo um CD que havia me emprestado. Ele iria viajar na manhã seguinte, então fiquei de deixar o CD na portaria para ele pegar antes de viajar.
Passado algum tempo, já pronto para dormir, lembrei que ainda não havia deixado o CD com o porteiro. Olhei as horas. Eram 00:30 de uma quarta-feira fria e chuvosa. Quem seria o doido a sair pra rua em um dia desses!? Coloquei uma camisa velha, surrada, peguei as havaianas floridas cor-de-abóbora nº 37 de minha irmã (calço 43) e entrei no elevador, com meu short de dormir (sem cueca.. nunca vi peça mais inútil).
No 4º andar o elevador para. Arrumo a postura. Entra um casal de jovens, bem arrumados, cheirosos.. Firme, como se tudo estivesse normal, cumprimento os dois olhando nos olhos e com um sorriso seguido de um "Boa Noite". Pensei "putz.. tinha que entrar alguém nesse elevador!?" Nem deu tempo de concluir o pensamento quando o elevador para no 3º andar. Entra um homem que ia para o plantão (parecia ao menos.. estava de branco). Cumprimentei o novo tripulante enquanto o elevador descia.. até o 2º andar. Antes da porta se abrir resmunguei com vergonha (rindo um pouco) "Ah não.. tem que parar em todos os andares!?". E entra a nova vizinha, gatíssima.. ela e a irmã dela.. Mais vermelho que um pimentão, abaixei a cabeça, rindo de vergonha. "Pra variar.." foi o comentário quando o elevador parou no 1º andar. O casal deu uma risadinha simpática da minha cara. O médico, com um tapa no meu ombro riu também. As vizinhas novatas (e gatas..) me olharam.. pareciam estar com medo, mas preferi acreditar que ainda estavam deslocadas. No 1º andar entrou outro casal, dessa vez de conhecidos. "Parece que só eu não sabia o que fazer nesse frio..." (e resolvi passar vergonha).
No térreo (finalmente), saio do elevador, e por mais devagar que tentasse andar, sempre estava na frente de todos. Entreguei o CD ao porteiro, enquanto os que passavam e saiam do prédio riam "pra mim" (sempre simpáticos).

As coisas não acontecem como imaginamos porque nunca pensamos em todas as hipóteses. Mas pra que pensar? É tão mais divertido assim.... a imprevisibilidade da vida..."

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